quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

" ONDE O CÉU NÃO TEM CHÃO"

 O dia nasceu e o amanhecer é um compasso lento, vou caminhando devagar sob o primeiro sol, carregando o peso de quem pensa demais.

Tateando o silêncio que me envolve é nessa carga que te encontro, procuro a fragilidade da pétala mesmo antes de ser flor, com uma brancura que não se colhe, apenas se habita. O seu perfume é uma memória que insiste em ficar. Quero levar-te comigo não como imagem, mas como silêncio.

Distraída, perco o fio do caminho e quando olho para o céu vejo apenas uma superfície onde a lua teima em aparecer, tendo as estrelas por companhia.

O céu não tem chão e eu perdi o meu. Fico aqui suspensa, entre o que fui e o que levo de ti, uma memória branca que não sabe para onde vai.


Fernanda Duarte Cabral 

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