quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

"O LUGAR DO SILÊNCIO"

 Olho através da vidraça embaciada 

a chuva cai lenta e sem pressa

como esta tristeza em mim instalada 

que não se apressa nem se confessa.


Lá fora o mundo agita-se em água e vento 

aqui dentro o silêncio ganha voz

mora nas sombras de cada momento 

neste vazio que cresce entre nós.


Vem como a maré lenta e cinzenta 

despindo a alma de toda a cor

uma presença que cala e se ausenta

feita de sombra de frio e de dor.


Neste silêncio pesado 

que arrefece o coração 

é um nó que aperta e não desata

despindo a alma de toda a paixão.


Mas toda a chuva há-de ter fim e se aquieta

e o nó que aperta há -de ceder

pois mesmo a alma mais cinzenta e secreta

guarda o segredo de saber florescer.


Fernanda Duarte Cabral 

19/02/2026

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