"NÓ CEGO"
A manhã desfaz-se como um nó cego
meço a estrada mas não estou lá,
levo nos dedos a poeira de um gesto antigo
escrevo o que o vento esquece na berma,
e o dia passa por mim como um estranho,
o que sobra, é um silêncio sem chão.
O horizonte fecha-se como uma pálpebra cansada
o resto, é o escuro a ganhar balanço
penso naquilo que não digo,
naquilo que não quero dizer,
mordo a ausência como se fosse um fruto.
Sou o lugar onde a voz tropeça,
o rasto de quem nunca chegou a vir,
um nó cego no meio do nada,
o resto é o que eu não sou...
E a noite, é só um teto prestes a ruir.
Fernanda Duarte Cabral
25/02/2026


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