sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

"NÓ CEGO"

 A manhã desfaz-se como um nó cego

 meço a estrada mas não estou lá,

 levo nos dedos a poeira de um gesto antigo

 escrevo o que o vento esquece na berma,

 e o dia passa por mim como um estranho,

o que sobra, é um silêncio sem chão.

 O horizonte fecha-se como uma pálpebra cansada 

o resto, é o escuro a ganhar balanço

 penso naquilo que não digo, 

naquilo que não quero dizer, 

mordo a ausência como se fosse um fruto.

 Sou o lugar onde a voz tropeça,

 o rasto de quem nunca chegou a vir,

 um nó cego no meio do nada,

o resto é o que eu não sou...

 E a noite, é só um teto prestes a ruir.


Fernanda Duarte Cabral 

25/02/2026

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