domingo, 22 de março de 2026

"CHÃO DE TERNURA"

 Houve um tempo em que o meu mundo cabia inteiro entre a lã do xaile da avó e o som da tua voz. O único lugar à minha medida era o teu colo, um refúgio feito de algodão e paciência, onde os meus medos de criança se tornavam pequenos.

O balanço do teu corpo era o ritmo que me acalmava, enquanto ouvia a canção que me cantavas e que ainda hoje sei de cor.

Guardo esse lugar dentro de mim. 

Sempre que a vida me pesa, fecho os olhos e volto ali; ao calor da tua pele e ao silêncio doce de quem sabe que, nos teus braços nada de mal me acontecia.


Obrigada mãe, por me teres tecido o chão com esse xaile e essa canção!


Fernanda Duarte Cabral 

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