" NO MEU POEMA"
No meu poema, há um rio de águas turvas
que arrastam segredos que o tempo
tenta esquecer.
Há um silêncio pesado que corre nas águas,
não se vê o fundo, como se o próprio leito
fosse um pouco meu.
O sol da manhã transforma a superfície
num caminho de luz, que parece sólido
o suficiente para eu poder caminhar.
Já não há margens, apenas curvas
onde o rio se dobra, procurando o mar;
essa imensidão onde o que era turvo
se torna azul.
E assim...
Entre as margens e o mar, os meus medos
finalmente adormecem, o silêncio agora
é de paz, e o meu poema pode enfim
descansar!
Fernanda Duarte Cabral
21/04/2026


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