domingo, 10 de maio de 2026

" A TUA PRESENÇA"

  Há qualquer coisa em ti 

que me faz querer parar o tempo, 

só para te observar sem pressa,

enquanto o mundo gira lá fora.

É como se no meio de tanto ruído, 

a tua presença fosse o abrigo, 

o único lugar de paz, onde 

o meu coração consegue descansar. 

Há qualquer coisa em ti 

que me prende o olhar,

e continua a roubar o fôlego 

pois, nos teus braços descobri

o único lugar, de onde não quero sair 

e a distância que nos separa

é só um espaço vazio preenchido 

pela doçura daquilo que somos.

Há qualquer coisa em ti!


Fernanda Duarte Cabral 

10/05/2026

segunda-feira, 4 de maio de 2026

"NAS NOITES DE INVERNO "

 Nas noites de Inverno, a cozinha 

era o meu mundo, cheirava a brasas e a

 lenha a estalar.

 A minha mãe no seu silêncio, sentava-se

 ao serão tecendo um casaquinho 

de lã bem macia para me agasalhar.

  Lá fora, soprava o frio e o vento, 

cá dentro o casaquinho crescia com as

 agulhas a trabalhar num click clac lento.

 Eram mãos de amor, pontos de luz 

a trabalhar o carinho. 

O calor da cozinha ainda hoje 

me conduz pela estrada da vida.

No meu caminho, guardo o cheiro 

das brasas e do toque da lã 

o abrigo perfeito que minha mãe 

tricotou.

Ela, era o fogo que ardia até de manhã 

naquela ternura que nunca se apagou!


Fernanda Duarte Cabral 

06/05/2026



"SE EU CHORAR"

 Se eu chorar não faz mal, não !

pois sabes que o meu choro é só cansaço 

à procura do aconchego que há no teu

 abraço .


 Não importam as lágrimas que caem agora,

nem a angústia que o meu peito sente,

agora, o meu silêncio é a tua liberdade 

pois aceitar o fim é a única verdade.


 O céu é grande demais, para te prender

 num abraço que já não aquece 

então,  liberto-te como quem solta um

pássaro, que já não canta no meu jardim .


 Deixo-te ir sem perguntas, fico aqui 

parada, a ver-te desaparecer 

 enquanto tu, segues em direção a um

 horizonte  onde eu, não tenho lugar.

 

Fernanda Duarte Cabral 

04/05/2026


segunda-feira, 27 de abril de 2026

"AMO-TE ASSIM"...

 Aprendi a amar-te nas entrelinhas do silêncio. Guardo o teu nome num canto do peito sem que o mundo saiba que estás comigo. Desenho em segredo as palavras que te digo, onde o silêncio é mais profundo.

Amo-te assim, sem pressa, através do vidro que nos separa como quem observa o sol sem lhe poder tocar, procuro o teu olhar como quem procura o norte.

És a minha paz secreta, o verso que não rima com a distância e enquanto o tempo nos nega a transparência basta-me o reflexo daquilo que somos. E, finalmente descubro que o lugar mais cheio de ti, já não é o peito...

É o mundo!


Fernanda Duarte Cabral 

27/04/2026

sexta-feira, 24 de abril de 2026

"LUZ E SILÊNCIO

 Fecho os olhos e deixo que o amarelo do sol dance nas minhas pálpebras. Sinto o calor a convidar-me para longe, para um lugar onde os pensamentos não tem pressa, onde cada ideia é um fio de seda que se desenrola devagar. 

Ali, no silêncio da luz, a minha mente divaga, descubro que o mundo é vasto demais para eu caber numa mágoa, e que a luz que me aquece por fora é a mesma que começa a brilhar por dentro.

Sei que o dia pode acabar mas este sol ficou gravado no meu peito. Abro as mãos e deixo que o vento leve o que ontem me escurecia a alma e fico apenas feita de luz. Agora sei, que não  há sombra que resista a este sol e que a paz, é um lugar que eu posso visitar sempre que quiser 


Fernanda Duarte Cabral 

24/04/2026

quarta-feira, 22 de abril de 2026

"O DESENHO DA TUA AUSÊNCIA"

Há um silêncio triste em mim

e tu, melhor que ninguém 

sabes lê-lo nas entrelinhas

e esta tristeza, tem o desenho

da tua ausência, é  o vazio

de uma esperança que se desfez

porque o meu coração insistiu em 

acreditar  em ti. 


Agora, tento ensinar os meus olhos

a não te procurarem, e a minha 

memória a desaprender. É um

processo lento este, de apagar 

quem ainda insiste, em arder 

aqui dentro. 


Acreditar em ti foi o meu erro

mais bonito, mas também o mais

pesado de carregar. Sei que um dia,

serás apenas uma história, mas por

enquanto, a tua falta ainda é 

o barulho mais alto que ouço, 

no meio do meu silêncio. 


Fernanda Duarte Cabral 

23/03/2026

segunda-feira, 20 de abril de 2026

" NO MEU POEMA"

No meu poema, há um rio de águas turvas 

que arrastam segredos que o tempo

tenta esquecer.

Há um silêncio pesado que corre nas águas, 

não se vê o fundo, como se o próprio leito 

fosse um pouco meu. 


O sol da manhã  transforma a superfície 

num caminho de luz, que parece sólido 

o suficiente para eu poder caminhar.

Já não há margens, apenas curvas

onde o rio se dobra, procurando o mar;

essa imensidão onde o que era turvo

se torna azul.


E assim...

Entre as margens e o mar, os meus medos

finalmente adormecem, o silêncio agora

é de paz, e o meu poema pode enfim

descansar!


Fernanda Duarte Cabral 

21/04/2026