quarta-feira, 22 de abril de 2026

"HÁ UM SILÊNCIO"

Há um silêncio triste em mim

e tu, melhor que ninguém 

sabes lê-lo nas entrelinhas

e esta tristeza, tem o desenho

da tua ausência, é  o vazio

de uma esperança que se desfez

porque o meu coração insistiu em 

acreditar  em ti. 


Agora, tento ensinar os meus olhos

a não te procurarem, e a minha 

memória a desaprender. É um

processo lento este, de apagar 

quem ainda insiste, em arder 

aqui dentro. 


Acreditar em ti foi o meu erro

mais bonito, mas também o mais

pesado de carregar. Sei que um dia,

serás apenas uma história, mas por

enquanto, a tua falta ainda é 

o barulho mais alto que ouço, 

no meio do meu silêncio. 


Fernanda Duarte Cabral 

23/03/2026

segunda-feira, 20 de abril de 2026

" NO MEU POEMA"

No meu poema, há um rio de águas turvas 

que arrastam segredos que o tempo

tenta esquecer.

Há um silêncio pesado que corre nas águas, 

não se vê o fundo, como se o próprio leito 

fosse um pouco meu. 


O sol da manhã  transforma a superfície 

num caminho de luz, que parece sólido 

o suficiente para eu poder caminhar.

Já não há margens, apenas curvas

onde o rio se dobra, procurando o mar;

essa imensidão onde o que era turvo

se torna azul.


E assim...

Entre as margens e o mar, os meus medos

finalmente adormecem, o silêncio agora

é de paz, e o meu poema pode enfim

descansar!


Fernanda Duarte Cabral 

21/04/2026

sábado, 11 de abril de 2026

"O TEU ABRAÇO"

 Sonho com o teu abraço que 

me envolve como a brisa da noite, 

acalmando o fogo que a distância 

acende.

É no aperto dos teus braços que o

tempo para, onde o cansaço do dia

se dissolve e o mundo lá fora, deixa

de fazer ruído.

Quero encontrar-me primeiro no teu 

olhar, nessa luz morna que me lê por

dentro e depois...

quero apenas fechar os olhos, sentir

o teu abraço, onde a paz se instala

sem pedir licença, e o mundo 

por instantes  se cala,


E  nos deixa ficar! 


Fernanda Duarte Cabral 

13/04/2026

"A UNICA LUZ"

 A tua imagem ficou gravada 

onde a luz não chega, num reflexo 

que o espelho nega, mas que a memória 

teimosamente desenha.

Perco-me a admirar a calma que

 transmites, esse jeito de seres

 porto seguro, sem precisares de dizer

uma palavra e onde o meu silêncio 

encontra voz.

És a harmonia silenciosa que

 me resgata, o detalhe que o mundo 

ignora, mas que em mim se torna 

horizonte, a única luz que não precisa

de sol para brilhar.


Fernanda Duarte Cabral 

11/04/2026


quinta-feira, 9 de abril de 2026

"APENAS UMA LEMBRANÇA"

Tenho saudades de ti,

do teu olhar quente e profundo ,

 daquela forma como o tempo parava

só, porque estavas por perto.

Sinto falta do silêncio cúmplice,

das palavras que não precisávamos 

de dizer, e de como o mundo parecia

 simples, dentro do teu abraço. 

Resta-me a memória do que fomos

enquanto aceito devagar que o " nós" 

se desfez em silêncio, deixando-me a sós, 

com a certeza de que nada voltará 

a ser igual.

Ficou comigo o toque da tua pele mas,

percebo agora que os teus passos 

já levam outro caminho, e que o cheiro

que o vento me traz é apenas uma 

 lembrança. 

Sorrio ao que fomos: uma história bonita 

que leio sem pressa; viro a página 

e guardo-te no passado, com o carinho

de quem soube amar e....

finalmente, sigo mais leve

Ao encontro de mim!


Fernanda Duarte Cabral 

09/04/2026

quinta-feira, 2 de abril de 2026

"MURMÚRIO"

 O dia chegou e o teu rosto é agora uma manhã de nevoeiro que o sol desfaz.

Há um silêncio novo, já não espero, já não procuro, apenas sinto o sol a aquecer onde antes doía.

Caminho sem pressa mas às vezes ainda tropeço num gesto teu, um murmúrio ainda teima em vibrar dentro de mim.

Ainda guardo no coração um cantinho cheio de "nós" mas, já não me sufoco com a tua ausência, a saudade agora é visita, entra de mansinho e logo vai embora.

Sou este equilíbrio estranho entre o alívio de te ter perdido e o eco de te saber em mim. A tua presença já não dita o compasso do meu tempo pois agora sou eu, quem habita este lugar!


Fernanda Duarte Cabral 

02/04/2026

quinta-feira, 26 de março de 2026

"LiBERTAÇÃO "

 Lavei os olhos no sal das minhas lágrimas.     E de repente a luz da verdade deixou de me encadear

Já não entrego os meus versos a quem não os sabe ler, a porta onde outrora me perdi é agora o marco onde me reencontro inteira e sem segredos.

Troquei os  tons cinzentos da espera pelas cores vivas da minha própria luz, não preciso de viagens nem de molduras  estreitas onde eu não caiba inteira.

A minha alma é a única casa que aceito habitar, abro as janelas de mim, inspiro profundamente e não procuro mais o que nunca me pertenceu 

Agora.... A minha libertação

sou eu!


Fernanda Duarte Cabral