ACORDA LISBOA"
Lisboa acorda em segredo
Chora a guitarra com saudade
Ecoa pelas esquinas
Dentro da própria cidade
Em Alfama e Mouraria
Há sempre um lamento vão
É o fado da despedida
Nascido no coração.
Nas vielas onde a lua de deita
Mora um grito que o peito não cala
É a sombra que o destino aceita
É o silêncio que o xaile embala
Com o negro xaile embrulhado
O fado nasceu um dia
Com o destino traçado
Envolto em melancolia.
A saudade que o peito invade
Neste cantar de dor e luz
O fado é a nossa liberdade
A carregar a mais doce cruz.
Hoje chegam à cidade
Gentes de todo o lugar
Para ver as janelas enfeitadas
E ouvir Lisboa a cantar.
É um aperto no peito sem nome
É uma sede que nos consome
É um bem querer que nos fez
Esta mágoa de ser português.
Fernanda Duarte Cabral
11/02/2026 ( feito para a ALEPON)

