quarta-feira, 25 de março de 2026

"O BRILHO DOS TEUS OLHOS"

 Eras uma estrela pequenina, o sol a bater na falésia, no tempo em que o mundo era o teu respirar.

A tua boquinha abria-se em sorrisos, nas nossas conversas entre avó e neto. Eu devolvia-te o sorriso, beijava as tuas mãozinhas sentindo o milagre de um amor completo.

Hoje, a voz já é outra, mais firme, mais segura, as mãos cresceram, o abraço ficou maior, mas o brilho dos teus olhos guarda a mesma ternura.

A estrela que nasceu daquela ilha de águas cálidas, é hoje o sol que ilumina o meu caminho, passo a passo em cada nova descoberta.

Um dia, vais ler o que o meu peito sentiu e descobrir o mar de amor que tenho guardado para ti. Terás sempre em mim o calor deste ninho!

Fernanda Duarte Cabral 

domingo, 22 de março de 2026

"SEM PRESSA"

 A manhã abriu-se quando a luz do dia  tocou o chão .

Segui caminho, num passo lento e atento sem pressa de chegar a lado nenhum.

Habitei o silêncio, esse lugar onde te encontro, longe do ruído, a sós com o que sinto.

És a minha calma, a raíz de cada pensamento, a cor que guardo no olhar, o porto seguro onde a minha  alma descansa. 

Guardo-te assim, num segredo só meu, onde o mundo pára e só ficamos...

Tu e eu!


Fernanda Duarte Cabral 

"CHÃO DE TERNURA"

 Houve um tempo em que o meu mundo cabia inteiro entre a lã do xaile da avó e o som da tua voz. 

O único lugar à minha medida era o teu colo, um refúgio feito de algodão e paciência, onde os meus medos de criança se tornavam pequenos.

O balanço do teu corpo era o ritmo que me acalmava, enquanto ouvia a canção que me cantavas e que ainda hoje sei de cor.

Guardo esse lugar dentro de mim. 

Sempre que a vida me pesa, fecho os olhos e volto ali; ao calor da tua pele e ao silêncio doce de quem sabe que, nos teus braços nada de mal me acontecia.


Obrigada mãe, por me teres tecido o chão com esse xaile e essa canção!


Fernanda Duarte Cabral 

sexta-feira, 20 de março de 2026

" O MEU GUARDA- CHUVA" (INFANTIL)

Levei o meu guarda -chuva às bolinhas

Com muitas cores a passear

Parecem pequenas joaninhas

Que a chuva veio cumprimentar


Saltitei no meio das poças 

Com as botas a salpicar 

Entre risos e cambalhotas 

Pus todas as cores a dançar 


Espreitou o céu azulinho

Puxou as nuvens pelo pé 

E o sol que é muito fininho

Fez-me cócegas no boné 


E quando o sol voltar a brilhar 

Com o seu atrevido jeitinho 

O guarda- chuva vai-se fechar

E ficar à espera num cantinho.


Fernanda Duarte Cabral 

20/03/2026

" A CURVATURA DE UM GESTO"

Há objetos que guardam a curvatura

de um gesto,

o chapéu pousado no silêncio,

ainda sustenta a sombra do teu olhar.


O tempo fechou o armário 

mas não conseguiu calar o cheiro 

que o teu chapéu guarda, um aroma 

que não tem nome nos livros mas,

que o meu coração reconhece como

" o cheiro do pai".


O chapéu agora é feito de silêncio 

mas, se eu encostar o rosto ao seu feltro,

ainda ouço, o som dos teus passos a chegar,

e o peso manso das tuas mãos.


Pouso-o de novo devagar, como 

quem guarda um tesouro no escuro.

 O armário pode finalmente fechar-se,

 mas o teu chapéu, ficou aberto em mim

 como um abraço que me protege, 

 do frio da tua ausência.


Fernanda Duarte Cabral 


terça-feira, 17 de março de 2026

"ALMA EM FLOR"

 O sol espreita ainda tímido e lento

rasgando o véu cinzento que o

inverno deixou.

No jardim, acorda um novo movimento 

e a primeira flor, num sopro despertou.


A terra larga o seu manto de frio

para vestir o verde que a vida traz

corre a água mais quente no leito do rio

num abraço de cor, de perfume e de paz.


Há um perfume novo que o vento carrega

um segredo contado pelas pétalas 

ao chão 

a primavera insiste, a primavera chega

e faz brotar jardins dentro do coração.


Assim se faz a vida, em ciclos de luz

onde o que estava adormecido 

volta a brilhar

a primavera, é o caminho para aprender, 

finalmente a recomeçar!


Fernanda Duarte Cabral 

17/03/2026

sábado, 14 de março de 2026

"O SILÊNCIO AGORA É ABRIGO"

 A noite encosta a porta

 sem fazer barulho, 

e o tempo que antes corria

hoje, senta-se ao meu lado

já não há nós na garganta, 

apenas o brilho manso de

 uma noite recém -chegada .


Se ontem a tristeza pesava,

hoje a alma amanheceu leve

desfez-se a sombra 

que trazia no meu peito,

e o silêncio agora é a casa.


O mundo lá fora adormece 

e aqui, sózinha comigo

a paz abraça-me a alma.


Fernanda Duarte Cabral 

18/03/2026