segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

"BARCO NO CAIS"

 Num barco atracado no cais 

entrego-me à solidão 

e o que pesa não é o barco

 é o que trago no coração.


Ancorado na dor 

deste meu desassossego,

sem saber se o que me prende

é o medo ou o apego.


Não é a âncora, nem o ferro

nem a corda ou a corrente,

é o teu nome meu amor

ancorado na minha mente.


Sou um barco com rumo

mas sem vontade de ir,

pois o único porto que quero 

é ver o teu olhar a sorrir!


Assim me deixo estar

entre a maré e o chão, 

com o teu nome escrito

na palma da minha mão 

pois, mais vale estar preso

ao que em mim ainda vive,

do que ser livre no mar

e nunca te ter tido!


Fernanda Duarte Cabral 

16/02/2026




domingo, 15 de fevereiro de 2026

"GOSTAVA DE SER PEQUENINA"

 Gostava de ser pequenina 

como a pétala de uma flor,

 para caber na tua mão

 e sentir o teu calor.

Seria um segredo bem guardado

 com um detalhe de cor,

perfumando o teu caminho

 para te poder dizer:

- "Bom dia meu amor"!


Gostava de baloiçar no vento,

sem pressa de chegar 

beber as gotas de orvalho 

quando o Rei Sol acordar.

Viver num mundo de cor

onde o tempo se demora,

ser apenas um sussurro

que a brisa leva embora.


Depois de tanto voar

por entre o céu e o chão,

voltar a ser a pétala mansa

no aconchego da tua mão.

E, quando o dia findasse 

no silêncio do luar

pousava no teu peito

só... para te ver sonhar!


Fernanda Duarte Cabral 

15/02/2026


quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

ACORDA LISBOA"

 Lisboa acorda em segredo 

Chora a guitarra com saudade

Ecoa pelas esquinas

Dentro da própria cidade


Em Alfama e Mouraria 

Há sempre um lamento vão 

É o fado da despedida 

Nascido no coração.


Nas vielas onde a lua de deita

Mora um grito que o peito não cala 

É a sombra que o destino aceita 

É o silêncio que o xaile embala


Com o negro xaile embrulhado 

O fado nasceu um dia

Com o destino traçado 

Envolto em melancolia.


A saudade que o peito invade 

Neste cantar de dor e luz

O fado é a nossa liberdade 

A carregar a mais doce cruz.


Hoje chegam à cidade

Gentes de todo o lugar

Para ver as janelas enfeitadas

E ouvir Lisboa a cantar.


É um aperto no peito sem nome

É uma sede que nos consome

É um bem querer que nos fez

Esta mágoa de ser português.


Fernanda Duarte Cabral 

11/02/2026 ( feito para a ALEPON)

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

A "NOITE CAI DEVAGAR "

 A noite cai devagar 

com as aguarelas lá no horizonte 

em tons alaranjados

e cores em tom de pastel

a embelezar o nosso entardecer

e cai, cai como uma cortina

que vai descendo lentamente 

sobre o dia.

A noite apodera-se de mim vagarosamente,

envolve-me num oásis estrelado

e é hora de sonhar!

Deixo a minha alma à solta

num jardim de alegrias,

fabrico sol no sono, encontro-me

reconstruo as faíscas,  medito

na maldade que há no mundo

e fico a chorar num sentimento profundo.

A noite cai devagar e com ela

chega o luar e a nostalgia

de sonhar contigo para

jamais querer acordar.

As estrelas brilham como diamantes,

a cidade adormece silenciosa,

sem pressa,envolta em penumbra

misteriosa que se adensa

na minha alma como se o tempo

respirasse em silêncio.

A noite cai devagar e quando cai

a nostalgia chega de mansinho,

para roubar o meu sono, e me fazer

adormecer na saudade 

de um tempo que partiu, enquanto 

espero um lindo amanhecer.

Deixa-me silenciar para ouvir

o som da tua voz, a voz

que sacudiu o meu mundo

e vai burilando o cristal que sou.

Então... mudo a minha história,

renovo os meus sonhos,

porque o mundo adormece

sem se importar, enquanto...

A noite cai devagar!


Poema escrito a várias mãos 



"NO MEU MUNDO"

 No meu mundo

o tempo é raíz e certeza

cresce para dentro da terra

antes de ousar tocar o céu.

No meu mundo

eu viajo num sonho

poeticamente encantado,

onde cabem as pessoas

de sentimentos profundos

que fazem crescer 

amor e gratidão.

No meu mundo 

cabem todos os sonhos

embora a vida vá matando alguns.

Neste mundo imaginado,

tudo seria diferente 

apenas imperaria 

a parte boa dos seres humanos 

sem trincheiras, apenas

com campos cheios de flores

e entardeceres de encantar,

com amor e amizade,

onde tudo é de todos.

Quero ver desaparecer 

o ódio e a dor

aqui, ainda há solidariedade 

e grandeza.

Calei, sofri, chorei 

e a solidão passou 

a ser o meu mundo,

a natureza se fez leveza

terminou a tortura

dos corações com tristeza.

Então....

juntemos as forças 

que movem o mundo,

o brilho do amanhã 

espera por nós

com a esperança de que o sol

vai voltar a brilhar!


Poema escrito a várias mãos 

08/02/2026

domingo, 8 de fevereiro de 2026

"REGRESSO A CASA

" A quem ensinou o meu coração  a encontrar o caminho de casa e continua a ser a minha luz"


Foste a moldura onde desenhei a vida

 a voz que ecoava no silêncio da espera, 

amar-te não foi a escolha,

foi o regresso a casa.

E em cada gesto,em cada traço 

descobri que o amor tem o teu nome.

Hoje, és o porto onde a minha alma repousa

a rima perfeita que o destino escreveu 

provando que o meu coração sempre foi teu.

Mas agora, os abraços são ecos no silêncio ,

e os  sonhos, retratos de um tempo que partiu

Assim, no vazio que o tempo insiste em

 desenhar, acredito no que ainda está por vir,

pois sei que o amor não se encerra na

 partida

apenas se transforma em luz

que guia a minha vida.


Fernanda Duarte Cabral 

08/02/2026


segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

"ANDREIA"

 Lembro-me bem da menina que foste

 das vozes e sotaques que inventavas

da alegria solta sem qualquer custo

 com que a todos encantavas.


Eras o riso pronto, a nota vibrante

 a imitar o mundo com graça e talento

 fazendo de cada instante 

um palco de luz e contentamento.


O tempo passou e a menina cresceu

mas não perdeu a doçura que trazia

apenas a força em ti floresceu

moldando a mulher que eu já previa.


Hoje, és determinação, és garra, és brio

um porto seguro de alma firme e forte

mas guardas no olhar esse mesmo rio

de bondade e luz, que nos serve de norte


Orgulho-me tanto da mulher que te fizeste

desse mistura rara de fibra e de flor

obrigada filha por tudo que deste

 ao meu coração em forma de amor.


Fernanda Duarte Cabral 

31/01/2026