"CÍRCULOS DE SAUDADE"
Olho para o céu através da janela
do meu quarto e vejo as aves
a desenharem círculos de saudade.
Voam num compasso que o vidro não
quebra,
traçando no azul a falta que me fazes.
Quem me dera ter o fôlego das suas asas,
para rasgar o peito e esta ansiedade,
desatar os nós que me prendem ao chão,
fazer da distância simples vaidade,
e voar contigo nesse céu aberto,
onde a memória se transforma em
liberdade.
O quarto, resguarda o segredo da tua
ausência, enquanto a tarde se vai
recolhendo no horizonte.
Eu, permaneço aqui, nesta moldura vendo
o tempo a passar com suavidade
sentindo a quietude do sol que se esvai.
Fernanda Duarte Cabral
09/06/2026

