quarta-feira, 11 de março de 2026

"SOU A ESTRADA"

Quando o mapa deixa de fazer sentido 

e a estrada subitamente se divide

há um silêncio que não se cala

e um grito que não se ouve.


Há um frio que se instala 

e me prende na indecisão, 

onde o norte se perde

 no pó do caminho,

e o tempo se arrasta, pesado 

e vazio.


Sou uma sombra que procura 

uma restea de luz, no limiar

incerto deste desafio pois, até 

 no escuro os passos se inventam.


Mas... se o mapa acaba

o meu peito dita a direção 

a voz que me guia renasce de dentro 

o passo que era dúvida agora tem pressa

pois eu...

Sou a estrada, o norte e o centro!


Fernanda Duarte Cabral 

"SOMBRA SUAVE"

 Na noite em que a saudade adormeceu 

apaguei as luzes da memória, 

e pela primeira vez o escuro 

não me trouxe o teu rosto,

trouxe-me paz e luz e uma

 sombra suave daquilo que foste.

Agora que o sol do meu presente 

brilha mais alto, as palavras 

ganham raízes no silêncio, 

sinto o espaço que a vida recupera 

como quem volta para  casa,

depois de uma longa viagem.

É um soltar de amarras pouco a pouco,

um sossego que se demora, o alívio 

 de finalmente me pertencer!


Fernanda Duarte Cabral 

segunda-feira, 9 de março de 2026

"LUZES DA MEMÓRIA"

 Na noite em que a saudade adormeceu 

apaguei as luzes da memória 

num sossego que se demora

e pela primeira vez, o escuro 

não me trouxe o teu rosto,

trouxe-me paz e luz e

uma sombra suave daquilo que foste. 

Agora, que o sol do meu presente 

brilha mais alto, as palavras

ganham raízes no silêncio,

sinto o espaço que a vida recupera 

como quem volta para casa,

depois de uma longa viagem.

É um soltar de amarras, pouco a pouco

deixar que as águas do esquecimento

lavem as margens da alma

e o alívio, de finalmente me pertencer!


Fernanda Duarte Cabral 

"FIO A FIO"

O nó que aperta o meu peito
não se corta
vai-se soltando aos poucos
fio a fio
num gesto de quem fecha a porta
para não sentir tanto frio.

Não te expulso da minha alma
nem te nego
mas sigo neste desapego lento 
em que aprendo a existir sem ti.
É um adeus que não tem pressa 
um despir de lembranças devagar 
até que a saudade adormeça 
e deixe de pedir para te procurar.

Já não tremo ao ouvir a tua voz
nem procuro abrigo no teu olhar
desfez-se o laço que nos prendia
na urgência doce de me reencontrar 
E....quando o peso finalmente sair
e o aperto no peito se dissolver
deixarei a paz guiar o meu compasso
no desapego de quem não quer sofrer!


Fernanda Duarte Cabral 

"TU ÉS O MEU POEMA"

 A poesia é tamanha que não cabe no coração, não cabe no peito, nem no dicionário, a folha é pequena o traço é vão pois se tento prender o infinito, a poesia escapa da minha mão.

Se o mundo é prosa, tu és o meu poema escrito no silêncio do teu olhar, resolver-te em letras é o meu dilema pois amar-te, é a arte a transbordar.

A saudade é o único ponto final deste querer que em mim se faz rima tu, és o meu verso involuntário a força maior, que me puxa para cima!


Fernanda Duarte Cabral 

sábado, 28 de fevereiro de 2026

"O SEGREDO"

 Aquela gaveta fechada encerra um segredo procuro uma chave esquecida que me ajude a abri-la, finalmente encontro-a.

Sinto o frio do metal na mão, oiço o som do trinco num estalido seco, o ferro morde a madeira antiga.

 A gaveta cede devagar como quem revela um segredo guardado. Lá dentro, um papel gasto e amarelado dobrado em quatro guarda o peso de uma saudade antiga

As palavras  escritas com pressa ainda ardem, como um abraço que não se deu, a tinta desbotada desenha nomes, que o tempo tentou em vão apagar. 

Com um sorriso trémulo começo a ler:"

 "Meu amor, escrevo-te para que não me esqueças, guardo o teu lugar à janela e a saudade que me invade o peito é um relógio que não anda".....

Fecho a gaveta e guardo a chave, mas o silêncio agora é diferente, o segredo deixou de ser do metal

 Simplesmente... 

É de quem recorda

que o tempo não levou!


Fernanda Duarte Cabral 

...

"O PEQUENO MESTRE"

 Aquele objeto pequenino votado ao abandono num canto de uma caixa de cartão ajudou a coser com linhas de esperança os retalhos da minha vida. 

Havia sedas de risos antigos e linhos gastos pela saudade. Pedaços de cores desbotadas pelo tempo, que agora se unem num abraço apertado formando o mapa de quem me tornei. 

O pequeno mestre de metal, descansa no escuro da caixa que guarda as minhas lembranças feitas dos retalhos ,no sossego da obra rematada 

na paz de quem já não precisa de lutar.


Fernanda Duarte Cabral 

27/02/2026