segunda-feira, 4 de maio de 2026

"NAS NOITES DE INVERNO "

 Nas noites de Inverno, a cozinha era o meu

mundo, cheirava a brasas e a lenha a estalar,

a  minha mãe no seu silêncio, sentava-se ao

 serão tecendo um casaquinho de lã bem

 macia para me agasalhar.

  Lá fora, soprava o frio e o vento, cá dentro 

o casaquinho crescia com as agulhas a

trabalhar num click clac lento.

Eram mãos de amor, pontos de luz a

trabalhar o carinho.

O calor da cozinha ainda hoje me conduz

pela estrada da vida, no meu caminho 

guardo o cheiro das brasas e do toque da lã 

o abrigo perfeito que minha mãe tricotou.

Ela, era o fogo que ardia até de manhã 

naquela ternura que nunca se apagou!


Fernanda Duarte Cabral 

06/05/2026



"SE EU CHORAR"

 Se eu chorar não faz mal, não !

pois sabes que o meu choro é só cansaço 

à procura do aconchego que há no teu

 abraço .


Não importam as lágrimas que caem agora,

nem a angústia que o meu peito sente,

agora, o meu silêncio é a tua liberdade 

pois aceitar o fim é a única verdade.


O céu é grande demais, para te prender num

abraço que já não aquece 

então,  liberto-te como quem solta um

pássaro que já não canta no meu jardim .


 Deixo-te ir sem perguntas, fico aqui parada,

 a ver-te desaparecer 

 enquanto tu segues em direção a um

 horizonte  onde eu, não tenho lugar.

 

Fernanda Duarte Cabral 

04/05/2026


segunda-feira, 27 de abril de 2026

"AMO-TE ASSIM"...

 Aprendi a amar-te nas entrelinhas do silêncio. Guardo o teu nome num canto do peito sem que o mundo saiba que estás comigo. Desenho em segredo as palavras que te digo, onde o silêncio é mais profundo.

Amo-te assim, sem pressa, através do vidro que nos separa como quem observa o sol sem lhe poder tocar, procuro o teu olhar como quem procura o norte.

És a minha paz secreta, o verso que não rima com a distância e enquanto o tempo nos nega a transparência basta-me o reflexo daquilo que somos. E, finalmente descubro que o lugar mais cheio de ti, já não é o peito...

É o mundo!


Fernanda Duarte Cabral 

27/04/2026

sexta-feira, 24 de abril de 2026

"LUZ E SILÊNCIO

 Fecho os olhos e deixo que o amarelo do sol dance nas minhas pálpebras. Sinto o calor a convidar-me para longe, para um lugar onde os pensamentos não tem pressa, onde cada ideia é um fio de seda que se desenrola devagar. 

Ali, no silêncio da luz, a minha mente divaga, descubro que o mundo é vasto demais para eu caber numa mágoa, e que a luz que me aquece por fora é a mesma que começa a brilhar por dentro.

Sei que o dia pode acabar mas este sol ficou gravado no meu peito. Abro as mãos e deixo que o vento leve o que ontem me escurecia a alma e fico apenas feita de luz. Agora sei, que não  há sombra que resista a este sol e que a paz, é um lugar que eu posso visitar sempre que quiser 


Fernanda Duarte Cabral 

24/04/2026

quarta-feira, 22 de abril de 2026

"O DESENHO DA TUA AUSÊNCIA"

Há um silêncio triste em mim

e tu, melhor que ninguém 

sabes lê-lo nas entrelinhas

e esta tristeza, tem o desenho

da tua ausência, é  o vazio

de uma esperança que se desfez

porque o meu coração insistiu em 

acreditar  em ti. 


Agora, tento ensinar os meus olhos

a não te procurarem, e a minha 

memória a desaprender. É um

processo lento este, de apagar 

quem ainda insiste, em arder 

aqui dentro. 


Acreditar em ti foi o meu erro

mais bonito, mas também o mais

pesado de carregar. Sei que um dia,

serás apenas uma história, mas por

enquanto, a tua falta ainda é 

o barulho mais alto que ouço, 

no meio do meu silêncio. 


Fernanda Duarte Cabral 

23/03/2026

segunda-feira, 20 de abril de 2026

" NO MEU POEMA"

No meu poema, há um rio de águas turvas 

que arrastam segredos que o tempo

tenta esquecer.

Há um silêncio pesado que corre nas águas, 

não se vê o fundo, como se o próprio leito 

fosse um pouco meu. 


O sol da manhã  transforma a superfície 

num caminho de luz, que parece sólido 

o suficiente para eu poder caminhar.

Já não há margens, apenas curvas

onde o rio se dobra, procurando o mar;

essa imensidão onde o que era turvo

se torna azul.


E assim...

Entre as margens e o mar, os meus medos

finalmente adormecem, o silêncio agora

é de paz, e o meu poema pode enfim

descansar!


Fernanda Duarte Cabral 

21/04/2026

sábado, 11 de abril de 2026

"O TEU ABRAÇO"

 Sonho com o teu abraço que 

me envolve como a brisa da noite, 

acalmando o fogo que a distância 

acende.

É no aperto dos teus braços que o

tempo para, onde o cansaço do dia

se dissolve e o mundo lá fora, deixa

de fazer ruído.

Quero encontrar-me primeiro no teu 

olhar, nessa luz morna que me lê por

dentro e depois...

quero apenas fechar os olhos, sentir

o teu abraço, onde a paz se instala

sem pedir licença, e o mundo 

por instantes  se cala,


E  nos deixa ficar! 


Fernanda Duarte Cabral 

13/04/2026