sábado, 21 de fevereiro de 2026

"Constelação "

 A trança dos teus cabelos retém um lindo sol doirado verso solto de um poema, um poema inacabado.


 É geometria viva, o brilho exato que nunca se apaga, muda o tempo, mas o laço permanece, atado à saudade que em mim amanhece.


Procuro-te agora no mapa do céu, onde a tua trança se fez constelação, fico ali suspensa nessa luz, até que a noite se dissolva e a aurora me devolva ao chão.


Mas, levo comigo o teu fio entrançado que o tempo não solta, nem o vento desfaz, és o nó de sangue, o meu outro lado, que em cada silêncio me sopra a tua paz.


Caminho na terra mas olho para cima onde a luz guia o meu passo incerto, somos dois versos da mesma rima.

Tu.... aí no infinito

Eu... aqui tão perto!


Fernanda Duarte Cabral 

11/4/????

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

"NÓ CEGO"

 A manhã desfaz-se como um nó cego

 meço a estrada mas não estou lá,

 levo nos dedos a poeira de um gesto antigo

 escrevo o que o vento esquece na berma,

 e o dia passa por mim como um estranho,

o que sobra, é um silêncio sem chão.

 O horizonte fecha-se como uma pálpebra cansada 

o resto, é o escuro a ganhar balanço

 penso naquilo que não digo, 

naquilo que não quero dizer, 

mordo a ausência como se fosse um fruto.

 Sou o lugar onde a voz tropeça,

 o rasto de quem nunca chegou a vir,

 um nó cego no meio do nada,

o resto é o que eu não sou...

 E a noite, é só um teto prestes a ruir.


Fernanda Duarte Cabral 

25/02/2026

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

"O LUGAR DO SILÊNCIO"

 Olho através da vidraça embaciada 

a chuva cai lenta e sem pressa

como esta tristeza em mim instalada 

que não se apressa nem se confessa.


Lá fora o mundo agita-se em água e vento 

aqui dentro o silêncio ganha voz

mora nas sombras de cada momento 

neste vazio que cresce entre nós.


Vem como a maré lenta e cinzenta 

despindo a alma de toda a cor

uma presença que cala e se ausenta

feita de sombra de frio e de dor.


Neste silêncio pesado 

que arrefece o coração 

é um nó que aperta e não desata

despindo a alma de toda a paixão.


Mas toda a chuva há-de ter fim e se aquieta

e o nó que aperta há -de ceder

pois mesmo a alma mais cinzenta e secreta

guarda o segredo de saber florescer.


Fernanda Duarte Cabral 

19/02/2026

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

"GRITO"

 Disseram que o seu lugar era o silêncio mas ela transformou o grito em faísca e resiliência incendiando o que antes era medo.

O seu poder não é herança, nasce das cicatrizes que contam histórias que ninguém conseguiu calar

Ela, não pede permissão ela, simplesmente reivindica o espaço que sempre foi seu

 porque o seu grito já não caminha sózinho...e o mundo enfim, escuta!


Fernanda Duarte Cabral 

08/03/2026

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

"BARCO NO CAIS"

 Num barco atracado no cais 

entrego-me à solidão 

e o que pesa não é o barco

 é o que trago no coração.


Ancorado na dor 

deste meu desassossego,

sem saber se o que me prende

é o medo ou o apego.


Não é a âncora, nem o ferro

nem a corda ou a corrente,

é o teu nome meu amor

ancorado na minha mente.


Sou um barco com rumo

mas sem vontade de ir,

pois o único porto que quero 

é ver o teu olhar a sorrir!


Assim me deixo estar

entre a maré e o chão, 

com o teu nome escrito

na palma da minha mão 

pois, mais vale estar preso

ao que em mim ainda vive,

do que ser livre no mar

e nunca te ter tido!


Fernanda Duarte Cabral 

16/02/2026




domingo, 15 de fevereiro de 2026

"GOSTAVA DE SER PEQUENINA"

 Gostava de ser pequenina 

como a pétala de uma flor,

 para caber na tua mão

 e sentir o teu calor.

Seria um segredo bem guardado

 com um detalhe de cor,

perfumando o teu caminho

 para te poder dizer:

- "Bom dia meu amor"!


Gostava de baloiçar no vento,

sem pressa de chegar 

beber as gotas de orvalho 

quando o Rei Sol acordar.

Viver num mundo de cor

onde o tempo se demora,

ser apenas um sussurro

que a brisa leva embora.


Depois de tanto voar

por entre o céu e o chão,

voltar a ser a pétala mansa

no aconchego da tua mão.

E, quando o dia findasse 

no silêncio do luar

pousava no teu peito

só... para te ver sonhar!


Fernanda Duarte Cabral 

15/02/2026


quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

ACORDA LISBOA"

 Lisboa acorda em segredo 

Chora a guitarra com saudade

Ecoa pelas esquinas

Dentro da própria cidade


Em Alfama e Mouraria 

Há sempre um lamento vão 

É o fado da despedida 

Nascido no coração.


Nas vielas onde a lua de deita

Mora um grito que o peito não cala 

É a sombra que o destino aceita 

É o silêncio que o xaile embala


Com o negro xaile embrulhado 

O fado nasceu um dia

Com o destino traçado 

Envolto em melancolia.


A saudade que o peito invade 

Neste cantar de dor e luz

O fado é a nossa liberdade 

A carregar a mais doce cruz.


Hoje chegam à cidade

Gentes de todo o lugar

Para ver as janelas enfeitadas

E ouvir Lisboa a cantar.


É um aperto no peito sem nome

É uma sede que nos consome

É um bem querer que nos fez

Esta mágoa de ser português.


Fernanda Duarte Cabral 

11/02/2026 ( feito para a ALEPON)