"O LUGAR DO SILÊNCIO"
Olho através da vidraça embaciada
a chuva cai lenta e sem pressa
como esta tristeza em mim instalada
que não se apressa nem se confessa.
Lá fora o mundo agita-se em água e vento
aqui dentro o silêncio ganha voz
mora nas sombras de cada momento
neste vazio que cresce entre nós.
Vem como a maré lenta e cinzenta
despindo a alma de toda a cor
uma presença que cala e se ausenta
feita de sombra de frio e de dor.
Neste silêncio pesado
que arrefece o coração
é um nó que aperta e não desata
despindo a alma de toda a paixão.
Mas toda a chuva há-de ter fim e se aquieta
e o nó que aperta há -de ceder
pois mesmo a alma mais cinzenta e secreta
guarda o segredo de saber florescer.
Fernanda Duarte Cabral
19/02/2026

