sábado, 14 de março de 2026

"O SILÊNCIO AGORA É ABRIGO"

 A noite encosta a porta

 sem fazer barulho, 

e o tempo que antes corria

hoje, senta-se ao meu lado

não há nós na garganta, 

apenas o brilho manso de

 uma noite recém -chegada .


Se ontem a tristeza pesava,

hoje a alma amanheceu leve

desfez-se a sombra 

que trazia no meu peito,

e o silêncio agora é a casa.


O mundo lá fora adormece 

e aqui, sózinha comigo

a paz abraça-me a alma.


Fernanda Duarte Cabral 

18/03/2026

sexta-feira, 13 de março de 2026

" PENUMBRA"

 Pensei que fosses ficar para sempre

comigo,

mas o teu amor foi um sopro passageiro.

Amei-te, como quem ama a madrugada, 

onde tudo parece possível, antes de 

o mundo acordar.

Agora choro, envolta na penumbra 

choro pelo silêncio profundo 

que a madrugada deixou, esse vazio

que se instalou, onde antes habitava

a tua voz.

E neste momento, em que a noite

 se despede com tristeza 

deixo-te ir com a última estrela 

que se apaga

enquanto o dia, devagar

Te leva de mim!


Fernanda Duarte Cabral 

14/03/2026

quarta-feira, 11 de março de 2026

"SOU A ESTRADA"

Quando o mapa deixa de fazer sentido 

e a estrada subitamente se divide

há um silêncio que não se cala

e um grito que não se ouve.


Há um frio que se instala 

e me prende na indecisão, 

onde o norte se perde

 no pó do caminho,

e o tempo se arrasta, pesado 

e vazio.


Sou uma sombra que procura 

uma restea de luz, no limiar

incerto deste desafio pois, até 

 no escuro os passos se inventam.


Mas... se o mapa acaba

o meu peito dita a direção 

a voz que me guia renasce de dentro 

o passo que era dúvida agora tem pressa

pois eu...

Sou a estrada, o norte e o centro!


Fernanda Duarte Cabral 

"SOMBRA SUAVE"

 Na noite em que a saudade adormeceu 

apaguei as luzes da memória, 

e pela primeira vez o escuro 

não me trouxe o teu rosto,

trouxe-me paz e luz e uma

 sombra suave daquilo que foste.

Agora que o sol do meu presente 

brilha mais alto, as palavras 

ganham raízes no silêncio, 

sinto o espaço que a vida recupera 

como quem volta para  casa,

depois de uma longa viagem.

É um soltar de amarras pouco a pouco,

um sossego que se demora, o alívio 

 de finalmente me pertencer!


Fernanda Duarte Cabral 

segunda-feira, 9 de março de 2026

"LUZES DA MEMÓRIA"

 Na noite em que a saudade adormeceu 

apaguei as luzes da memória 

num sossego que se demora

e pela primeira vez, o escuro 

não me trouxe o teu rosto,

trouxe-me paz e luz e

uma sombra suave daquilo que foste. 

Agora, que o sol do meu presente 

brilha mais alto, as palavras

ganham raízes no silêncio,

sinto o espaço que a vida recupera 

como quem volta para casa,

depois de uma longa viagem.

É um soltar de amarras, pouco a pouco

deixar que as águas do esquecimento

lavem as margens da alma

e o alívio, de finalmente me pertencer!


Fernanda Duarte Cabral 

"FIO A FIO"

O nó que aperta o meu peito
não se corta
vai-se soltando aos poucos
fio a fio
num gesto de quem fecha a porta
para não sentir tanto frio.

Não te expulso da minha alma
nem te nego
mas sigo neste desapego lento 
em que aprendo a existir sem ti.
É um adeus que não tem pressa 
um despir de lembranças devagar 
até que a saudade adormeça 
e deixe de pedir para te procurar.

Já não tremo ao ouvir a tua voz
nem procuro abrigo no teu olhar
desfez-se o laço que nos prendia
na urgência doce de me reencontrar 
E....quando o peso finalmente sair
e o aperto no peito se dissolver
deixarei a paz guiar o meu compasso
no desapego de quem não quer sofrer!


Fernanda Duarte Cabral 

"TU ÉS O MEU POEMA"

 A poesia é tamanha que não cabe no coração, não cabe no peito, nem no dicionário, a folha é pequena o traço é vão pois se tento prender o infinito, a poesia escapa da minha mão.

Se o mundo é prosa, tu és o meu poema escrito no silêncio do teu olhar, resolver-te em letras é o meu dilema pois amar-te, é a arte a transbordar.

A saudade é o único ponto final deste querer que em mim se faz rima tu, és o meu verso involuntário a força maior, que me puxa para cima!


Fernanda Duarte Cabral