sexta-feira, 20 de março de 2026

" O MEU GUARDA- CHUVA" (INFANTIL)

Levei o meu guarda -chuva às bolinhas

Com muitas cores a passear

Parecem pequenas joaninhas

Que a chuva veio cumprimentar


Saltitei no meio das poças 

Com as botas a salpicar 

Entre risos e cambalhotas 

Pus todas as cores a dançar 


Espreitou o céu azulinho

Puxou as nuvens pelo pé 

E o sol que é muito fininho

Fez-me cócegas no boné 


E quando o sol voltar a brilhar 

Com o seu atrevido jeitinho 

O guarda- chuva vai-se fechar

E ficar à espera num cantinho.


Fernanda Duarte Cabral 

20/03/2026

" A CURVATURA DE UM GESTO"

Há objetos que guardam a curvatura

de um gesto,

o chapéu pousado no silêncio,

ainda sustenta a sombra do teu olhar.


O tempo fechou o armário 

mas não conseguiu calar o cheiro 

que o teu chapéu guarda, um aroma 

que não tem nome nos livros mas,

que o meu coração reconhece como

" o cheiro do pai".


O chapéu agora é feito de silêncio 

mas, se eu encostar o rosto ao seu feltro,

ainda ouço, o som dos teus passos a chegar,

e o peso manso das tuas mãos.


Pouso-o de novo devagar, como 

quem guarda um tesouro no escuro.

 O armário pode finalmente fechar-se,

 mas o teu chapéu, ficou aberto em mim

 como um abraço que me protege, 

 do frio da tua ausência.


Fernanda Duarte Cabral 


terça-feira, 17 de março de 2026

"ALMA EM FLOR"

 O sol espreita ainda tímido e lento

rasgando o véu cinzento que o

inverno deixou.

No jardim, acorda um novo movimento 

e a primeira flor, num sopro despertou.


A terra larga o seu manto de frio

para vestir o verde que a vida traz

corre a água mais quente no leito do rio

num abraço de cor, de perfume e de paz.


Há um perfume novo que o vento carrega

um segredo contado pelas pétalas 

ao chão 

a primavera insiste, a primavera chega

e faz brotar jardins dentro do coração.


Assim se faz a vida, em ciclos de luz

onde o que estava adormecido 

volta a brilhar

a primavera, é o caminho para aprender, 

finalmente a recomeçar!


Fernanda Duarte Cabral 

17/03/2026

sábado, 14 de março de 2026

"O SILÊNCIO AGORA É ABRIGO"

 A noite encosta a porta

 sem fazer barulho, 

e o tempo que antes corria

hoje, senta-se ao meu lado

já não há nós na garganta, 

apenas o brilho manso de

 uma noite recém -chegada .


Se ontem a tristeza pesava,

hoje a alma amanheceu leve

desfez-se a sombra 

que trazia no meu peito,

e o silêncio agora é a casa.


O mundo lá fora adormece 

e aqui, sózinha comigo

a paz abraça-me a alma.


Fernanda Duarte Cabral 

18/03/2026

sexta-feira, 13 de março de 2026

" PENUMBRA"

 Pensei que fosses ficar para sempre

comigo,

mas o teu amor foi um sopro passageiro.

Amei-te, como quem ama a madrugada, 

onde tudo parece possível, antes de 

o mundo acordar.

Agora choro, envolta na penumbra 

choro pelo silêncio profundo 

que a madrugada deixou, esse vazio

que se instalou, onde antes habitava

a tua voz.

E neste momento, em que a noite

 se despede com tristeza 

deixo-te ir com a última estrela 

que se apaga

enquanto o dia, devagar

Te leva de mim!


Fernanda Duarte Cabral 

14/03/2026

quarta-feira, 11 de março de 2026

"SOU A ESTRADA"

Quando o mapa deixa de fazer sentido 

e a estrada subitamente se divide

há um silêncio que não se cala

e um grito que não se ouve.


Há um frio que se instala 

e me prende na indecisão, 

onde o norte se perde

 no pó do caminho,

e o tempo se arrasta, pesado 

e vazio.


Sou uma sombra que procura 

uma restea de luz, no limiar

incerto deste desafio pois, até 

 no escuro os passos se inventam.


Mas... se o mapa acaba

o meu peito dita a direção 

a voz que me guia renasce de dentro 

o passo que era dúvida agora tem pressa

pois eu...

Sou a estrada, o norte e o centro!


Fernanda Duarte Cabral 

"SOMBRA SUAVE"

 Na noite em que a saudade adormeceu 

apaguei as luzes da memória, 

e pela primeira vez o escuro 

não me trouxe o teu rosto,

trouxe-me paz e luz e uma

 sombra suave daquilo que foste.

Agora que o sol do meu presente 

brilha mais alto, as palavras 

ganham raízes no silêncio, 

sinto o espaço que a vida recupera 

como quem volta para  casa,

depois de uma longa viagem.

É um soltar de amarras pouco a pouco,

um sossego que se demora, o alívio 

 de finalmente me pertencer!


Fernanda Duarte Cabral