terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

"TÃO LONGE DE TI"

 Sinto- me tão longe de ti

 como se o fôlego fosse um eco

 o caminho um mapa sem fim, 

onde o horizonte é um reflexo

 de um tempo que foge de mim.


Estás perto mas noutra margem 

num silêncio que o medo criou,

sou apenas sombra e miragem

no rasto do que não ficou.


Mas sei que a distância é ponte

que o norte ainda se alcança 

pois vejo em cada horizonte 

o brilho da nossa esperança 


E mesmo que o passo se canse

e a voz se perca no vento

o amor há -de saber regressar 

ao destino, ao momento....

 

De nos voltarmos a encontrar!


Fernanda Duarte Cabral 


"FAROL APAGADO"

 Os meus olhos estão tão tristes

procuro sinais no silêncio da noite 

nas mensagens que não chegam.

Será que ainda gostas de mim?

ou já me esqueceste entre as sombras?


O ecrã do telemóvel é um farol apagado que

 já não ilumina o meu rosto, as horas passam

 como vidro moído e o café arrefece sem eu

 dar por isso.


Guardo o teu nome num canto da boca

tenho saudades da tua voz

e sinto tanto frio!

chamo pelo teu nome

mas só oiço o silêncio, mais nada!


Enrolo-me no cobertor da tua ausência 

e sou apenas um eco à espera de resposta,

até perceber que o silêncio que me dás 

é a única palavra que te resta para mim.


Fernanda Duarte Cabral 

sábado, 21 de fevereiro de 2026

"A TRANÇA DO TEU CABELO"

 A trança dos teus cabelos retém um lindo sol doirado

 verso solto de um poema, um poema inacabado.

É geometria viva, o brilho exato que nunca se apaga,

 muda o tempo, mas o laço permanece, atado à saudade que em mim amanhece.

Procuro-te agora no mapa do céu, onde a tua trança se fez constelação,

 fico ali suspensa nessa luz, até que a noite se dissolva e a aurora me devolva ao chão.

Mas, levo comigo o teu fio entrançado que o tempo não solta, nem o vento desfaz

és o nó de sangue, o meu outro lado, que em cada silêncio me sopra a tua paz.

Caminho na terra mas olho para cima onde a luz guia o meu passo incerto, somos dois versos da mesma rima.

Tu.... aí no infinito

Eu... aqui tão perto!


Fernanda Duarte Cabral 

11/4/2026

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

"NÓ CEGO"

 A manhã desfaz-se como um nó cego

 meço a estrada mas não estou lá,

 levo nos dedos a poeira de um gesto antigo

 escrevo o que o vento esquece na berma,

 e o dia passa por mim como um estranho,

o que sobra, é um silêncio sem chão.

 O horizonte fecha-se como uma pálpebra cansada 

o resto, é o escuro a ganhar balanço

 penso naquilo que não digo, 

naquilo que não quero dizer, 

mordo a ausência como se fosse um fruto.

 Sou o lugar onde a voz tropeça,

 o rasto de quem nunca chegou a vir,

 um nó cego no meio do nada,

o resto é o que eu não sou...


 E a noite, é só um teto prestes a ruir.


Fernanda Duarte Cabral 

25/02/2026

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

"O LUGAR DO SILÊNCIO"

 Olho através da vidraça embaciada 

a chuva cai lenta e sem pressa

como esta tristeza em mim instalada 

que não se apressa nem se confessa.


Lá fora o mundo agita-se em água e vento 

aqui dentro o silêncio ganha voz

mora nas sombras de cada momento 

neste vazio que cresce entre nós.


Vem como a maré lenta e cinzenta 

despindo a alma de toda a cor

uma presença que cala e se ausenta

feita de sombra de frio e de dor.


Neste silêncio pesado 

que arrefece o coração 

é um nó que aperta e não desata

despindo a alma de toda a paixão.


Mas toda a chuva há-de ter fim e se aquieta

e o nó que aperta há -de ceder

pois mesmo a alma mais cinzenta e secreta

guarda o segredo de saber florescer.


Fernanda Duarte Cabral 

19/02/2026

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

"GRITO"

 Disseram que o seu lugar era o silêncio mas ela transformou o grito em faísca e resiliência incendiando o que antes era medo.

O seu poder não é herança, nasce das cicatrizes que contam histórias que ninguém conseguiu calar

Ela, não pede permissão ela, simplesmente reivindica o espaço que sempre foi seu porque o seu grito já não caminha sózinho...

e o mundo enfim, escuta!


Fernanda Duarte Cabral 

08/03/2026

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

"BARCO NO CAIS"

 Num barco atracado no cais 

entrego-me à solidão 

e o que pesa não é o barco

 é o que trago no coração.


Ancorado na dor 

deste meu desassossego,

sem saber se o que me prende

é o medo ou o apego.


Não é a âncora, nem o ferro

nem a corda ou a corrente,

é o teu nome meu amor

ancorado na minha mente.


Sou um barco com rumo

mas sem vontade de ir,

pois o único porto que quero 

é ver o teu olhar a sorrir!


Assim me deixo estar

entre a maré e o chão, 

com o teu nome escrito

na palma da minha mão 

pois, mais vale estar preso

ao que em mim ainda vive,

do que ser livre no mar

e nunca te ter tido!


Fernanda Duarte Cabral 

16/02/2026