terça-feira, 29 de setembro de 2026

"BASTOU UM SEGUNDO"

 No espaço curto entre os teus olhos

 e os meus

o mundo à volta deixou de fazer sentido

saboreei em segredo os lábios teus

num beijo guardado

que estava esquecido .


Bastou um segundo,

o traço de um olhar,

para o tempo suspenso 

finalmente ceder,

e na curva da boca

voltei a provar os beijos 

que a ausência me fez esquecer.


Foi como se o tempo

não tivesse passado, 

 teu corpo inteiro ao lado do meu

desenhando o sol no nosso horizonte, 

e naquele segundo de urgência e calor

o mundo parou para nos ver regressar.


Matamos a saudade,

 inventamos o amor

 no espaço infinito

de um simples olhar.


Fernanda Duarte Cabral 

29/09/2026


"A NOITE*

 A noite é companheira dos meus segredos 

guarda o teu nome no sopro do vento, 

e desenha o teu rosto no meu pensamento 

afugentando os meus medos.

Sob as estrelas que brilham lá no alto,

relembro o toque e o calor do teu abraço.

Nas horas vazias em que a lua se deita,

procuro a tua mão para me afagar

e conto ao vento, o que ninguém pode ouvir

enquanto a madrugada finge não ver,

o espaço vazio que deixaste em mim,

porque..... és tu o segredo que me faz viver.

O teu amor é o farol que me faz falta

sempre farás parte de mim!


Fernanda Duarte Cabral 

27/09/2026


terça-feira, 9 de junho de 2026

"CÍRCULOS DE SAUDADE"

  Olho para o céu através da janela 

do meu quarto e vejo as aves

a desenharem círculos de saudade.

 Voam num compasso que o vidro não 

 quebra,

 traçando no azul a falta que me fazes. 


 Quem me dera ter o fôlego das suas asas,

para rasgar o peito e esta ansiedade,

desatar os nós que me prendem ao chão, 

fazer da distância simples vaidade,

e voar contigo nesse céu aberto,

onde a memória se transforma em

 liberdade. 


 O quarto, resguarda o segredo da tua

 ausência, enquanto a tarde se vai

 recolhendo no horizonte. 

  Eu, permaneço aqui, nesta moldura vendo

 o tempo a passar com suavidade 

sentindo a quietude do sol que se esvai.


Fernanda Duarte Cabral 

09/06/2026

quinta-feira, 28 de maio de 2026

"O LUGAR DO AVÔ"

 Hoje, deixei-me levar pelas recordações e parei na casa dos meus avós.
 Ainda sinto o calor daquela cozinha
onde a avó cuidava das panelas de três pernas pousadas no carvão da lareira 
e a comida ganhava o cheiro a lenha.

 O louceiro alto que guardava o tempo e a mesa comprida de madeira grossa, onde cabíamos todos nos bancos corridos, a família acontecia. 

 Ali, no topo da mesa estava o avô, 
as mãos marcadas pelo trabalho da terra, mas os olhos, cheios de uma doçura imensa.

 Um homem  do campo feito de terra e de afeto, um homem culto que trazia o saber no peito, que respeitava o silêncio e as palavras 
rodeado pela família que tanto estimava.


 O tempo passou e a mesa ficou mais vazia mas sempre que me lembro daquela lareira vejo-o ali, sentado, meigo e eterno com o seu chapéu de abas a ensinar-nos a viver sem pressa. 


Fernanda Duarte Cabral 

28/05/2026

domingo, 10 de maio de 2026

" A TUA PRESENÇA"

  Há qualquer coisa em ti 

que me faz querer parar o tempo, 

só para te observar sem pressa,

enquanto o mundo gira lá fora.

É como se no meio de tanto ruído, 

a tua presença fosse o abrigo, 

o único lugar de paz, onde 

o meu coração consegue descansar. 

Há qualquer coisa em ti 

que me prende o olhar,

e continua a roubar o fôlego 

pois, nos teus braços descobri

o único lugar, de onde não quero sair. 

A distância que nos separa

é só um espaço vazio, preenchido 

pela doçura daquilo que somos.

Há qualquer coisa em ti!...


Fernanda Duarte Cabral 

10/05/2026

segunda-feira, 4 de maio de 2026

"NAS NOITES DE INVERNO "

 Nas noites de Inverno, a cozinha 

era o meu mundo, cheirava a brasas e a

 lenha a estalar.

 A minha mãe no seu silêncio, sentava-se

 ao serão tecendo um casaquinho 

de lã bem macia para me agasalhar.

  Lá fora, soprava o frio e o vento, 

cá dentro o casaquinho crescia com as

 agulhas a trabalhar num click clac lento.

 Eram mãos de amor, pontos de luz 

a trabalhar o carinho. 

O calor da cozinha ainda hoje 

me conduz pela estrada da vida.

No meu caminho, guardo o cheiro 

das brasas e do toque da lã 

o abrigo perfeito que minha mãe 

tricotou.

Ela, era o fogo que ardia até de manhã 

naquela ternura que nunca se apagou!


Fernanda Duarte Cabral 

06/05/2026



"SE EU CHORAR"

 Se eu chorar não faz mal, não !

pois sabes que o meu choro é só cansaço 

à procura do aconchego que há no teu

 abraço .


 Não importam as lágrimas que caem agora,

nem a angústia que o meu peito sente,

agora, o meu silêncio é a tua liberdade 

pois aceitar o fim é a única verdade.


 O céu é grande demais, para te prender

 num abraço que já não aquece 

então,  liberto-te como quem solta um

pássaro, que já não canta no meu jardim .


 Deixo-te ir sem perguntas, fico aqui 

parada, a ver-te desaparecer 

 enquanto tu, segues em direção a um

 horizonte  onde eu, não tenho lugar.

 

Fernanda Duarte Cabral 

04/05/2026