"O LUGAR DO AVÔ"
Hoje, deixei-me levar pelas recordações e parei na casa dos meus avós.
Bem vindos à exposição virtual das coisas que faço com a mão, mas sobretudo com o coração! Entre poemas, bordados e pinturas deixo aqui uma pequena amostra dos meus tempos livres...
Hoje, deixei-me levar pelas recordações e parei na casa dos meus avós.
Há qualquer coisa em ti
que me faz querer parar o tempo,
só para te observar sem pressa,
enquanto o mundo gira lá fora.
É como se no meio de tanto ruído,
a tua presença fosse o abrigo,
o único lugar de paz, onde
o meu coração consegue descansar.
Há qualquer coisa em ti
que me prende o olhar,
e continua a roubar o fôlego
pois, nos teus braços descobri
o único lugar, de onde não quero sair.
A distância que nos separa
é só um espaço vazio, preenchido
pela doçura daquilo que somos.
Há qualquer coisa em ti!...
Fernanda Duarte Cabral
10/05/2026
Nas noites de Inverno, a cozinha
era o meu mundo, cheirava a brasas e a
lenha a estalar.
A minha mãe no seu silêncio, sentava-se
ao serão tecendo um casaquinho
de lã bem macia para me agasalhar.
Lá fora, soprava o frio e o vento,
cá dentro o casaquinho crescia com as
agulhas a trabalhar num click clac lento.
Eram mãos de amor, pontos de luz
a trabalhar o carinho.
O calor da cozinha ainda hoje
me conduz pela estrada da vida.
No meu caminho, guardo o cheiro
das brasas e do toque da lã
o abrigo perfeito que minha mãe
tricotou.
Ela, era o fogo que ardia até de manhã
naquela ternura que nunca se apagou!
Fernanda Duarte Cabral
06/05/2026
Se eu chorar não faz mal, não !
pois sabes que o meu choro é só cansaço
à procura do aconchego que há no teu
abraço .
Não importam as lágrimas que caem agora,
nem a angústia que o meu peito sente,
agora, o meu silêncio é a tua liberdade
pois aceitar o fim é a única verdade.
O céu é grande demais, para te prender
num abraço que já não aquece
então, liberto-te como quem solta um
pássaro, que já não canta no meu jardim .
Deixo-te ir sem perguntas, fico aqui
parada, a ver-te desaparecer
enquanto tu, segues em direção a um
horizonte onde eu, não tenho lugar.
Fernanda Duarte Cabral
04/05/2026
Aprendi a amar-te nas entrelinhas do silêncio. Guardo o teu nome num canto do peito sem que o mundo saiba que estás comigo. Desenho em segredo as palavras que te digo, onde o silêncio é mais profundo.
Amo-te assim, sem pressa, através do vidro que nos separa como quem observa o sol sem lhe poder tocar, procuro o teu olhar como quem procura o norte.
És a minha paz secreta, o verso que não rima com a distância e enquanto o tempo nos nega a transparência basta-me o reflexo daquilo que somos. E, finalmente descubro que o lugar mais cheio de ti, já não é o peito...
É o mundo!
Fernanda Duarte Cabral
27/04/2026
Fecho os olhos e deixo que o amarelo do sol dance nas minhas pálpebras. Sinto o calor a convidar-me para longe, para um lugar onde os pensamentos não tem pressa, onde cada ideia é um fio de seda que se desenrola devagar.
Ali, no silêncio da luz, a minha mente divaga, descubro que o mundo é vasto demais para eu caber numa mágoa, e que a luz que me aquece por fora é a mesma que começa a brilhar por dentro.
Sei que o dia pode acabar mas este sol ficou gravado no meu peito. Abro as mãos e deixo que o vento leve o que ontem me escurecia a alma e fico apenas feita de luz. Agora sei, que não há sombra que resista a este sol e que a paz, é um lugar que eu posso visitar sempre que quiser
Fernanda Duarte Cabral
24/04/2026
Há um silêncio triste em mim
e tu, melhor que ninguém
sabes lê-lo nas entrelinhas
e esta tristeza, tem o desenho
da tua ausência, é o vazio
de uma esperança que se desfez
porque o meu coração insistiu em
acreditar em ti.
Agora, tento ensinar os meus olhos
a não te procurarem, e a minha
memória a desaprender. É um
processo lento este, de apagar
quem ainda insiste, em arder
aqui dentro.
Acreditar em ti foi o meu erro
mais bonito, mas também o mais
pesado de carregar. Sei que um dia,
serás apenas uma história, mas por
enquanto, a tua falta ainda é
o barulho mais alto que ouço,
no meio do meu silêncio.
Fernanda Duarte Cabral
23/03/2026