"O LUGAR DO AVÔ"
Hoje, deixei-me levar pelas recordações e parei na casa dos meus avós.
Ainda sinto o calor daquela cozinha
onde a avó cuidava das panelas de três pernas pousadas no carvão da lareira
onde a comida ganhava o cheiro a lenha.
O louceiro alto que guardava o tempo e a mesa comprida de madeira grossa, onde cabíamos todos nos bancos corridos, a família acontecia.
Ali, no topo da mesa estava o avô,
as mãos marcadas pelo trabalho da terra, mas os olhos, cheios de uma doçura imensa.
Um homem do campo feito de trabalho e de afeto, um homem culto que trazia o saber no peito, que respeitava o silêncio e as palavras
rodeado pela família que tanto gostava.
O tempo passou e a mesa ficou mais vazia mas sempre que me lembro daquela lareira vejo-o ali, sentado, meigo e eterno com o seu chapéu de abas a ensinar-nos a viver sem pressa.
Fernanda Duarte Cabral
28/05/2026


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