quinta-feira, 28 de maio de 2026

"O LUGAR DO AVÔ"

 Hoje, deixei-me levar pelas recordações e parei na casa dos meus avós.
 Ainda sinto o calor daquela cozinha
onde a avó cuidava das panelas de três pernas pousadas no carvão da lareira 
onde a comida ganhava o cheiro a lenha.

 O louceiro alto que guardava o tempo e a mesa comprida de madeira grossa, onde cabíamos todos nos bancos corridos, a família acontecia. 

 Ali, no topo da mesa estava o avô, 
as mãos marcadas pelo trabalho da terra, mas os olhos, cheios de uma doçura imensa.

 Um homem  do campo feito de trabalho e de afeto, um homem culto que trazia o saber no peito, que respeitava o silêncio e as palavras 
rodeado pela família que tanto gostava.


 O tempo passou e a mesa ficou mais vazia mas sempre que me lembro daquela lareira vejo-o ali, sentado, meigo e eterno com o seu chapéu de abas a ensinar-nos a viver sem pressa. 


Fernanda Duarte Cabral 

28/05/2026

0 Comentários:

Enviar um comentário

Subscrever Enviar feedback [Atom]

<< Página inicial