segunda-feira, 9 de março de 2026

"LUZES DA MEMÓRIA"

 Na noite em que a saudade adormeceu 

apaguei as luzes da memória 

num sossego que se demora

e pela primeira vez, o escuro 

não me trouxe o teu rosto,

trouxe-me paz e luz e

uma sombra suave daquilo que foste. 

Agora, que o sol do meu presente 

brilha mais alto, as palavras

ganham raízes no silêncio,

sinto o espaço que a vida recupera 

como quem volta para casa,

depois de uma longa viagem.

É um soltar de amarras, pouco a pouco

deixar que as águas do esquecimento

lavem as margens da alma

e o alívio, de finalmente me pertencer!


Fernanda Duarte Cabral 

"FIO A FIO"

O nó que aperta o meu peito
não se corta
vai-se soltando aos poucos
fio a fio
num gesto de quem fecha a porta
para não sentir tanto frio.

Não te expulso da minha alma
nem te nego
mas sigo neste desapego lento 
em que aprendo a existir sem ti.
É um adeus que não tem pressa 
um despir de lembranças devagar 
até que a saudade adormeça 
e deixe de pedir para te procurar.

Já não tremo ao ouvir a tua voz
nem procuro abrigo no teu olhar
desfez-se o laço que nos prendia
na urgência doce de me reencontrar 
E....quando o peso finalmente sair
e o aperto no peito se dissolver
deixarei a paz guiar o meu compasso
no desapego de quem não quer sofrer!


Fernanda Duarte Cabral 

"TU ÉS O MEU POEMA"

 A poesia é tamanha que não cabe no coração, não cabe no peito, nem no dicionário, a folha é pequena o traço é vão pois se tento prender o infinito, a poesia escapa da minha mão.

Se o mundo é prosa, tu és o meu poema escrito no silêncio do teu olhar, resolver-te em letras é o meu dilema pois amar-te, é a arte a transbordar.

A saudade é o único ponto final deste querer que em mim se faz rima tu, és o meu verso involuntário a força maior, que me puxa para cima!


Fernanda Duarte Cabral